O levantamento do mastro - muito comum em festas
populares - é um dos rituais mais importantes da festa.
O mastro é um tronco de madeira, de cerca de 15
metros que recebe uma camada de óleo queimado, tinta e adornos. É
confeccionada também uma bandeira, com a imagem do Santo, que é
colocada na ponta do mastro. Todo o processo de extração da mata e
preparação era feito desde 1953 por Benedito Domingos, o capitão do
mastro, que faleceu no ano passado. Foram 37 anos de dedicação e cujo
trabalho terá continuidade com seu filho, José Benedito Domingos.
A cerimônia - que acontece no domingo, às 14 horas
- pode ter sido originada com as próprias Cruzadas. "Após a
conquista de uma terra, os cavaleiros erguiam a bandeira do santo católico,
indicando que àquele território pertencia a ele", conta a
professora e escritora aparecidense, Zilda Ribeiro. Existem outras versões.
Para o professor da Universidade de Taubaté, Felício Murade os negros
acreditavam que seus deuses vinham da terra que dá o alimento, a água
e é fonte de vida. "Em seus cultos, dançavam e cantavam ao redor
das ripas de sustentação da senzala. Era a forma de se comunicarem com
seus deuses", diz.
E se comunicam mesmo, através de bilhetinhos. Os
devotos escrevem seus pedidos em pequenos pedaços de papel e jogam no
buraco onde o mastro será colocado. O conteúdo? Isto é entre o devoto
e o Santo. Em outros tempos as pessoas também jogavam saquinhos com grãos
de arroz e feijão, para que a comida nunca falte em casa.
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