Beato Frei Antônio
de Sant'Ana Galvão,
Confessor (+ São Paulo, 1822)
Nascido em Guaratinguetá,
em 1739, de uma família de muitas posses, descendia dos primeiros
povoadores da Capitania e corria em suas veias sangue de bandeirantes. Foi
ele próprio chamado "Bandeirante de Crist", porque tinha na alma a
grandeza, o arrojo e fortaleza de um verdadeiro bandeirante. Renunciou a
uma brilhante situação no mundo e ingressou na Ordem Franciscana.
Fundou, em 1774, juntamente com Madre Helena Maria do Espírito Santo,
o Mosteiro concepcionista de Nossa Senhora da Luz, na capital paulista. Não
somente formou e conduziu nas vias da espiritualidade franciscana e concepcionista
as religiosas desse mosteiro, mas também o edificou materialmente,
ao longo de quase 50 anos de esforços contínuos. Foi o arquiteto,
o engenheiro, o mestre de obras e muitas vezes o operário da sua edificação,
que somente se tornou possível porque ele incansavelmente pedia, ao
povo fiel, esmolas para a magnífica construção. Entregou
sua alma a Deus em 1822 e foi beatificado em 1998. Até hoje sua sepultura,
na capela do mosteiro, é visitada por multidões que acorrem
a lhe pedir graças e milagres, e também à procura das
famosas e prodigiosas "Pílulas de Frei Galvão". A origem dessas
pílulas é contada num folheto distribuído no próprio
mosteiro: "Certo dia, Frei Galvão foi procurado por um senhor muito
aflito, porque sua mulher estava em trabalho de parto e em perigo de perder
a vida. Frei Galvão escreveu em três papelinhos o versículo
do Ofício da Santíssima Virgem Post partum Virgo Inviolata
permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis (Depois do parto, ó
Virgem, permanecestes intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós).
Deu-os ao homem, que por sua vez levou-os à esposa. Apenas a mulher
ingeriu os papelinhos, que Frei Galvão enrolara como uma pílula,
a criança nasceu normalmente. Caso idêntico deu-se com um jovem
que se estorcia com dores provocadas por cálculos visicais. Frei Galvão
fez outras pílulas semelhantes e deu-as ao moço. Após
ingerir os papelinhos, o jovem expeliu os cálculos e ficou curado.
Esta foi a origem dos milagrosos papelinhos, que, desde então, foram
muito procurados pelos devotos de Frei Galvão, e até hoje o
Mosteiro fornece para as pessoas que têm fé na intercessão
do Servo de Deus".
(Fonte: A. de França
Andrade)
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